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3 de junho de 2010

HUMBERTO DELGADO

Humberto Delgado
Humberto Delgado
Político português, nasceu a 15 de Maio de 1906, em Boquilobo, concelho de Torres Novas, e morreu a 13 de Fevereiro, possivelmente em Badajoz. Jovem oficial, participou no movimento militar de 28 de Maio de 1926, que derrubou a República liberal e implantou em Portugal a Ditadura Militar que, poucos anos mais tarde, iria dar lugar ao Estado Novo liderado por Salazar. Durante muitos anos comungou das posições oficiais do regime salazarista, particularmente do seu violento anticomunismo. A sua atitude política, aliada a uma reconhecida competência técnica, levou-o a ascender rapidamente na escala hierárquica (será o general mais jovem da Força Aérea) e a ocupar posições de destaque, nomeadamente como Director da Aeronáutica Civil, membro da missão militar que negociou com o Reino Unido as condições de utilização de instalações militares nos Açores na decisiva fase final da guerra contra o Eixo na Europa, e em cargos de elevada responsabilidade na representação de Portugal na orgânica da NATO, nos Estados Unidos. Estas duas últimas experiências colocá-lo-ão em contacto com a vida política das democracias ocidentais, que vivamente o impressionam e o levam a questionar a legitimidade do regime que até aí servira. Regressado a Portugal, aceita o convite de personalidades oposicionistas para se candidatar à Presidência da República, tendo como concorrentes, no campo oposicionista, o Dr. Arlindo Vicente (que virá a desistir a seu favor), e, no campo governamental, o Contra-Almirante Américo Thomaz. Imprime à campanha um ritmo vivo, até aí desconhecido da vivência oposicionista, manifestando-se decididamente contrário à continuação de Salazar à frente do Governo -- quando questionado, publicamente, sobre as suas intenções quanto a Salazar na eventualidade de vencer as eleições, responde secamente "Obviamente, demito-o!", o que equivalia a uma declaração de guerra ao regime. Esta frase, celeremente celebrizada, incomodou os mais conservadores dos seus apoiantes, mas incendiou os espíritos das massas populares que o vitoriaram durante a campanha (com particular destaque para a entusiástica recepção popular no Porto). Apesar do apoio popular, os resultados eleitorais oficiais atribuem-lhe a derrota, que tanto o próprio General como a Oposição em geral nunca aceitarão. Convencido de que o regime não poderá ser derrubado pelas urnas, procura atrair as chefias militares para um putsch, ficando desiludido pela falta de receptividade ao seu apelo. Considerando-se em perigo, refugia-se na Embaixada do Brasil, aí ficando largos meses até lhe ser permitido partir para o exílio, onde debalde tentará congraçar os núcleos oposicionistas exilados; somando desilusões e traições, rodeado de colaboradores indisciplinados, dá cobertura à Operação Dulcineia, desencadeada pelo seu aliado Capitão Henrique Galvão (outro dissidente do regime), que consiste na captura do paquete Santa Maria (baptizado "Santa Liberdade"), que será utilizado como veículo de propaganda que atrairá as atenções da opinião pública internacional para a situação política no País. A operação coincide com o início da guerra em Angola, fazendo nascer suspeitas de entendimento entre os oposicionistas portugueses e a direcção dos movimentos independentistas africanos. A sua tendência para privilegiar a solução militar para o derrube do regime, a sua ousadia (que justifica o qualificativo de "General Sem Medo"), que muitos desentendimentos provocará no seio da oposição no estrangeiro e no interior, leva-o a planear e executar uma nova tentativa revolucionária, com a colaboração de conspiradores militares e civis --tomando de assalto o quartel de Beja (Ano Novo 1961-1962), e eventualmente outras posições, partiria à conquista dos pontos fulcrais do País. Falhando a revolta, o General, que entrara clandestinamente em Portugal, volta a atravessar a fronteira, para nunca mais regressar à Pátria. Desloca mais tarde as suas actividades para o Magrebe, onde procura outros apoios e aliados (Ben Bella, o Partido Comunista Português e os movimentos de libertação das colónias portuguesas, entre outros); os desacordos políticos e as incompatibilidades entre o General, que continua a crer na viabilidade do derrube do regime salazarista pela força das armas, e outros sectores, nomeadamente o Partido Comunista Português, que privilegiam a luta política paciente e pacífica, isolam progressivamente o General Delgado, que cada vez mais se distancia da realidade portuguesa. Este isolamento proporciona, em 1965, a montagem de uma armadilha fatal: crendo vir ao encontro de conspiradores do interior que partilhariam as suas ideias, Delgado dirige-se à fronteira de Badajoz, sendo aí assassinado por um comando da PIDE. De 13 de Fevereiro até 24 de Abril, data em que o seu corpo foi descoberto, perto de Villanueva del Fresno, foi dado como desaparecido.
O regime nunca reconhecerá oficialmente as suas responsabilidades pelo facto, mas os seus autores virão a ser levados a juízo após a revolução de 25 de Abril de 1974; entretanto, o clamor que se erguera na opinião pública criara significativas dificuldades políticas a Salazar. Após a restauração da democracia, promovido postumamente a marechal, o seu corpo será trasladado com todas as honras para o Panteão Nacional.

MARCELLO CAETANO

Marcello Caetano
Marcello Caetano
Deputado especialista de Direito, jornalista e político, de seu nome completo Marcello José das Neves Alves Caetano, nasceu em 1906 e faleceu em 1980. Produziu uma obra vasta de investigação no domínio do Direito administrativo, do Direito constitucional e da história do Direito em Portugal, para além do Direito corporativo, o que aliás se casava intimamente com as suas responsabilidades e opções políticas. É, de resto, autor do projecto do Código Administrativo de 1936, e o primeiro docente universitário a leccionar Direito corporativo em universidades portuguesas. De facto, tendo-se iniciado na política como seguidor do Integralismo Lusitano, aderiu ao Estado Novo criado por Salazar e ocupou numerosos cargos de alta responsabilidade, a nível partidário (presidente da Comissão Executiva da União Nacional), na direcção dos organismos miliciais do regime (Comissário Nacional da Mocidade Portuguesa), em estruturas essenciais das forças de apoio político ao regime (procurador, vice-presidente e presidente da Câmara Corporativa) e ainda a nível governamental (foi Ministro das Colónias e Ministro da Presidência).
O seu relacionamento com Salazar nem sempre foi pacífico, mas tal não obstou a que fosse reconhecido como seu mais que provável sucessor na chefia do Governo. Algumas situações mesmo houve em que os dois se encontraram em conflito aberto ou latente: quando, por exemplo, Marcello se demite de reitor da Universidade Clássica de Lisboa, como forma de protesto pela repressão violenta sobre os estudantes universitários de Lisboa (1962), ou quando o general Botelho Moniz o procurou associar ao seu frustrado golpe de Estado (1961).
Ascendeu efectivamente à chefia do Governo, mas por escolha do presidente da República, almirante Américo Thomaz, após se verificar a incapacidade de Salazar para continuar no exercício de funções. Entre 1968 e 1974, procura construir uma política de "evolução na continuidade", concedendo alguma abertura política à oposição, admitindo mesmo no seio da União Nacional (rebaptizada Acção Nacional Popular) um grupo de jovens liberais com forte espírito crítico e grande dinamismo. Tentou, sem sucesso, uma política de equilíbrio entre uma facção de duros defensores do regime, partidários de posições intransigentes no campo da defesa da "ordem" interna e da continuação da guerra colonial, e uma tendência de certo modo reformista, mais liberal e europeísta. As suas hesitações, ao tentar singrar entre as duas correntes, enfraqueceram-no e retiraram-lhe margem de manobra. Cairia, por fim, em resultado da conspiração que iria dar origem ao 25 de Abril de 1974, após o qual foi autorizado a seguir para o exílio, no Brasil, onde se dedicou à docência e revelou, em livros de carácter memorialístico, o seu grande azedume perante a evolução dos acontecimentos em Portugal.

2 de maio de 2010

CHICO MARTINS: RESISTENTE ANTIFASCISTA

Francisco Martins Rodrigues, aliás, Chico Martins, 1927-2008
Francisco Martins Rodrigues (1927-2008)
Na madrugada desta terça feira, 22 de abril, faleceu em Lisboa, Francisco Martins Rodrigues, aliás, Chico Martins, aos 81 anos. Veterano militante comunista durante quase seis décadas, Chico Martins foi uma das lideranças mais importantes da resistência anti-fascista. Iniciou as suas lutas em 1949 no MUD (Movimento de Unidade Democrática). Entrou no PCP (Partido Comunista Português) em 1951, e foi condenado a três anos de prisão pela ditadura salazarista em 1957. Conheceu Álvaro Cunhal na prisão de Peniche, e participou da fuga espectacular de 1960.
Membro do comité central do PCP, Chico Martins encabeça a dissidência com a direcção do PCP, no contexto da cisão entre Pequim e Moscovo, sendo expulso em 1964, quando impulsiona a fundação da Frente de Ação Popular (FAP) e depois o Comité Marxista-Leninista Português (CMLP). Preso novamente em 1966, quando sofreu torturas atrozes, só ganhou a liberdade dois dias depois do 25 de Abril de 1974.
Chico Martins esteve na fundação da União Democrática Popular (UDP) em Dezembro de 1974, e conheceu Diógenes Arruda, liderança brasileira do PCdB. Em 1984, rompe com a União Democrática Popular e funda a Organização Comunista Política Operária, em um processo de ruptura com o estalinismo. Desenvolve uma auto-crítica programática da estratégia de colaboração de classes. Homem de simplicidade no trato, foi respeitado pela sua grande cultura, pela inteligência aguda, honestidade irreprochável, fino humor e, sobretudo, por ser um militante incansável. Foi até o seu último suspiro um militante revolucionário.
Chico Martins, ou o «camarada Campos» - pseudónimo da clandestinidade - liderou a crítica pela esquerda ao PCP no período mais duro da resistência à ditadura. Nos anos sessenta apoiou as críticas chinesas à União Soviética e fundou o CMLP (Comité Marxista-Leninista Português). Em 1964, escreve «Luta Pacífica ou Luta Armada» um texto de oposição ao «Rumo à Vitória» de Álvaro Cunhal, defendendo a luta armada como estratégia de combate ao salazarismo. Suas posições expressavam a necessidade da radicalização da luta contra o regime de Salazar, após a candidatura de Humberto Delgado e o início da guerra colonial, no contexto mundial da vitória da revolução cubana, da derrota da França na guerra da Argélia, e da escalada da guerra no Vietnam. Visitou Moscovo e Pequim. Em 1964, ao lado de João Pulido Valente e Rui D’Espiney cria a Frente de Ação Popular (FAP) e o Comité Marxista-Leninista Português (CMLP), com o objectivo de refundar o Partido Comunista. É preso de novo em 1966, condenado a 19 anos de prisão.
Depois do 25 de Abril, o CMLP se unirá à Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa (OCMLP) e à União Revolucionária Marxista-Leninista (URML) e constituirão o Partido Comunista Português Reconstruído PCP(R), uma organização que se mantém na clandestinidade, da qual a União Democrática Popular (UDP) será a frente eleitoral. Francisco Martins Rodrigues alimentou divergências programáticas com o estalinismo desde 1976 e foi expulso tanto do PC(R) como da UDP, em 1983. Liderou a formação da Organização Comunista Política Operária em 1984 e assumiu, desde então, a tarefa de director da Revista mensal Política Operária. Manteve nas últimas décadas relações amistosas com os militantes que se reivindicam da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT)-Quarta Internacional.
O destino de quem escreve se uniu ao de Chico Martins quando, em 1966, ainda uma criança de nove anos, fui viver em Lisboa, acompanhando minha mãe que tinha sido transferida pelo Itamaraty para Portugal, e meu primeiro amigo de escola primária, na quarta série, foi o Pedro. Ele era o filho mais velho de Chico Martins. Dizem, das amizades da infância, que são inquebrantáveis. Algumas, no entanto, são insubstituíveis. Só voltei ao Brasil em 1978. Nossa estreita amizade naqueles anos nos levou à descoberta comum, talvez muito precocemente, da militância. Foi ao lado de Pedro, seguindo-o, que me uni ao movimento do secundário, e foi sob a influência militantes da CMLP que descobri o marxismo.
Ensinaram-me, também, sobre a valentia e a honra, pelo exemplo, tudo o que havia por aprender. Nos últimos anos, mantive uma correspondência cordial com Chico Martins. Foi, para mim, motivo de imenso orgulho que ele tenha considerado útil publicar alguns artigos meus na Revista Política Operária. Escrevo estas linhas com o coração apertado. Chico Martins passou doze anos de sua vida na prisão, e outros tantos anos na clandestinidade. Mas, nunca perdeu a jovialidade. Não se deixou vencer pela amargura. Recomeçou a militância organizada, em condições especialmente difíceis, mais de uma vez. Não tinha receio de corrigir suas posições. Sabia que a capacidade de auto-crítica não diminui um revolucionário, ao contrário, o engrandece. O mundo ficou um pouco menor sem ele.

NORTON DE MATOS

NORTON DE MATOS

José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos (Ponte de Lima, 23 de Março de 1867 — Ponte de Lima, Portugal, 3 de Janeiro de 1955) foi um general e político português.
Depois de frequentar o colégio em Braga foi, em 1880, para a Escola Académica, em Lisboa.
Quatro anos depois iniciou o seu curso na Faculdade de Matemática em Coimbra. Fez o curso da Escola do Exército e, em 1898, partiu para a Índia Portuguesa, onde organizou os cadastros das terras. Começou aí a sua carreira na administração colonial, como director dos Serviços de Agrimensura. Acabada a sua comissão, viajou por Macau e pela China em missão diplomática.
O seu regresso a Portugal coincidiu com a proclamação da República. Dispondo-se a servir o novo regime, Norton de Matos foi chefe do estado-maior da 5ª divisão militar. Em 1912 tomou posse como governador-geral de Angola. A sua actuação na colónia revelou-se extremamente importante, na medida em que impulsionou fortemente o seu desenvolvimento, protegendo-a, de certa forma, da ameaça contínua que pairava sobre o domínio colonial português, por parte de potências como a Inglaterra, a Alemanha e a França.
Foi demitido do cargo em 1915, como consequência da nova situação política que se vivia em Portugal durante a Primeira Guerra Mundial. Foi depois chamado, de novo, ao Governo, ocupando o cargo de ministro das Colónias, embora por pouco tempo. Em 1917, um novo golpe revolucionário obrigou-o a exilar-se em Londres, por divergências com o novo governo. Regressou à pátria e foi delegado de Portugal à Conferência da Paz, em 1919. Mais tarde, foi promovido a general por distinção e nomeado Alto Comissário da República em Angola. Na Primavera de 1919, foi delegado português à Conferência da Paz. Em Junho de 1924, exerceu as funções de embaixador de Portugal em Londres, cargo de que foi afastado aquando da instauração da Ditadura Militar.
Foi, em 1929, eleito grão-mestre da maçonaria portuguesa.
Em 1948, participou nas eleições presidenciais de 1949, reivindicando a liberdade de propaganda e uma melhor fiscalização dos votos. O regime de Salazar recusou-se a satisfazer estas exigências. Obteve vastos apoios populares e apoio de membros da oposição. Devido à falta de liberdade no acto eleitoral, e prevendo fraudes eleitorais, ele acabou por desistir depois de participar em comícios e outras manifestações de massas.

28 de abril de 2010

EDUARDO MONDLANE: FRELIMO: MOÇAMBIQUE

Eduardo Mondlane (1920-1969)
Dirigente nacionalista moçambicano, foi o primeiro presidente da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e, antes de mais, o líder unificador dos vários movimentos e organizações que deram origem àquela frente. Homem do Sul, culto, professor universitário nos EUA, casado com uma cidadã americana e funcionário das Nações Unidas, Mondlane dedicará o melhor dos seus esforços a manter unidas
as tendências dos grupos e a promover, pela educação, a preparação de quadros para o
futuro Moçambique independente, dentro de uma linha anglo-saxónica de acesso à
independência das colónias, que passava pela formação de uma esclarecida consciência
nacional anti-racista e antitribal.
Foi morto pelo rebentamento de um livro armadilhado, em 3 de Fevereiro de 1969, em Dar-es-Salam, numa acção a que têm sido associados a PIDE/DGS e o antigo dirigente maconde Lázaro Kavandame, que se entregara às autoridades portuguesas.

ARISTIDES PEREIRA: PAIGC: GUINÉ- BISSAU

Aristides Maria Pereira (1923-2011)
Político cabo-verdiano foi, juntamente com Amílcar Cabral, um dos fundadores do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), integrando a comissão política do Comité Central desde 1956, onde exerceu o cargo de secretário-geral adjunto.
Depois do assassínio de Amílcar Cabral, em Conacri, acção em que ele próprio foi
preso pelos criminosos e embarcado numa lancha que se dirigia para a Guiné-Bissau, assumiu as funções de secretário-geral.
Foi o primeiro Presidente da República da Guiné, gerindo conflitos de interesses entre cabo-verdianos e guineenses, até à ruptura que ocorreu e separou a Guiné de Cabo Verde.

JONAS SABIMBI: UNITA: ANGOLA

Jonas Savimbi (1934-2002)
Político angolano, fundador da UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola). Frequentou o sétimo ano do liceu em Lisboa, de onde saiu em 1961 apoiado por uma organização protestante americana, que dirigia jovens estudantes para o escritório da UPA em Paris.
Foi funcionário da UPA, tendo sido representante de Holden Roberto na
Europa no início dos acontecimentos desencadeados por aquele movimento no Norte de
Angola, em Março de 1961, e secretário-geral e ministro dos Negócios Estrangeiros aquando da fundação da FNLA e da constituição do GRAE. Desde o início da sua actividade política, Savimbi manteve contactos privilegiados com organizações políticas e religiosas conotadas com a CIA americana e promoveu
repetidamente tendências fraccionastes de raiz étnica.
Em 1964, demitiu-se de ministro do GRAE e de secretário-geral da FNLA e publicou um
documento intitulado Amangola, propondo a luta armada como solução contra o
colonialismo português. Aproximou-se do MPLA enquanto esteve em Brazzaville, de onde se deslocou para Lusaca, capital da Zâmbia, estabelecendo relações com as embaixadas da República Popular da China e dos EUA.
Depois de uma visita aos Estados Unidos, em Janeiro de 1966, um pequeno grupo armado
atacou a povoação de Teixeira de Sousa, em 6 de Fevereiro, naquela que é a primeira acção reivindicada pela UNITA, que contava com quadros militares formados na China e políticos ligados aos EUA, com Jeremias Chitunda. Desde 1969 são referenciados contactos seus com as autoridades coloniais portuguesas, nomeadamente com a DGS, os quais vieram a culminar na Operação Madeira.
Esta acção traduziu-se num protocolo de colaboração de Savimbi com as forças portuguesas, em que este se comprometeu combater o MPLA no Leste de Angola, em troca do apoio dos militares à acção da UNITA junto das populações controladas por este movimento.



Entrevista sobre as eleições de 1992 em Angola

MÁRIO DE ANDRADE: ANGOLA:MPLA

Mário de Andrade (1928-1990)
Dirigente nacionalista angolano, foi um dos primeiros e mais destacados líderes do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), juntamente com Viriato da Cruz.
Pertencia a uma família de angolanos nacionalistas, sendo o seu pai fundador, em 1928, da Liga Nacional Africana. Em 1948, juntamente com o seu irmão Joaquim, iniciou estudos de Filologia Clássica na Universidade de Lisboa.
Aqui, os irmãos Pinto de Andrade relacionaram-se com estudantes das colónias, participando, com Agostinho Neto e outros, na criação do Centro de Estudos Africanos.
Perseguido pela PIDE, refugiou-se em Paris,formando-se em Sociologia pela Sorbonne. Mário de Andrade vai distinguir-se por sempre ter lutado pela unidade entre todos os movimentos de libertação contra o colonialismo português, sendo muito próximo de Amílcar Cabral, Marcelino dos Santos e Aquino de Bragança, com os quais fundou o MAC,
Movimento AntiColonial.
Afastar-se-ia progressivamente do MPLA, tendo trabalhado no final da sua vida em Moçambique e na Guiné-Bissau.

HOLDEN ROBERTO:FNLA: ANGOLA

Holden Roberto (1924- 2007 )
Dirigente nacionalista angolano, com um percurso atribulado no seio dos movimentos anti coloniais.
Iniciou a sua actividade em 1954, com a fundação da União dos Povos do Norte de Angola (UPNA), uma organização de povos bacongos, mais tarde designada UPA para lhe retirar o carácter tribal. Em 1960, assinou um acordo com o MPLA, que rompe passados seis meses, decidindo assumir por si só a liderança da luta contra o colonialismo português.
A sua grande acção teve início no dia 15 de Março, no Norte de Angola, com o assalto às fazendas do café e a morte indiscriminada de colonos brancos e trabalhadores negros bailundos.
A brutalidade e a ausência de finalidade desta acção, em que os objectivos políticos e militares nunca foram
esclarecidos, mancharam toda a subsequente luta anticolonial e forneceram ao regime
português as imagens de horror e barbárie que lhe permitiram apelar à mobilização para a guerra.
Em 1962, criou a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), da qual se tornou presidente.
Esta organização constituiu o Governo Revolucionário de Angola no Exílio(GRAE), onde Jonas Savimbi surge como ministro dos Negócios Estrangeiros.
Holden Roberto manteve sempre uma estreita ligação com Mobutu, presidente do Zaire, país em que se instalaram as bases do movimento.
Embora tenha recebido armas dos países de Leste, a sua ligação privilegiada foi sempre com os EUA, que lhe pagam uma avença anual e fornecem conselho técnico, inclusive com a presença de agentes nas suas bases.

SAMORA MACHEL: FRELIMO: MOÇAMBIQUE

Samora Machel (1933-1986)
Samora Machel era uma força da natureza que libertava energia e tinha um carisma que contagiava e fazia agir.
Antigo enfermeiro, nascido no Sul de Moçambique, pertence ao primeiro grupo de nacionalistas moçambicanos que rompe com o marasmo da discussão política e decide passar à luta armada.
Estará sempre ligado às tarefas da organização militar, porque entende que é através de acções bélicas que tudo o resto virá.
E o tudo era não só a independência política formal de Moçambique, mas o estabelecimento de novo poder e de nova sociedade.
Samora foi, no campo da ideologia, o líder de concepções mais revolucionárias, as quais motivaram cisões e conflitos internos com várias personalidades e grupos com diferentes visões dos caminhos para alcançar a independência, das quais resultaram, entre outros, o afastamento de Uria Simango e de Lázaro Kavandame, que se entregou às autoridades portuguesas. Samora soube reunir à sua volta um grupo coeso, unificador e eficaz para conduzir a manobra político-militar. Ao decidir transferir o esforço da Frelimo do Norte de Moçambique para Tete, centrando a guerra à volta do empreendimento de Cahora Bassa,mesmo à custa de maiores riscos, provocados pela proximidade da África do Sul e da Rodésia, e de menores apoios, pela distância às suas bases na Tanzânia, revela uma leitura da situação que os dirigentes políticos portugueses não tiveram ao decidir a construção da barragem. Samora Machel soube aproveitar da melhor forma a opurtunidade, que lhe foi oferecida de bandeja, de escolher o lugar e o momento da batalha decisiva, e por isso ganhou a guerra.

AGOSTINHO NETO: MPLA: ANGOLA

Agostinho Neto (1922-1979)

Este médico angolano (Agostinho Neto) formado em Lisboa, fez parte, com Amílcar Cabral e Mário Andrade, entre outros, da geração de estudantes africanos que, tendo ganho consciência nacionalista, viria a desempenhar papel decisivo na independência dos seus países. Preso pela PIDE e deportado para o Tarrafal, foi-lhe fixada residência em Portugal, de onde fugiu para o exílio, assumindo a direcção do MPLA, do qual já era o presidente honorário desde 1962.
O que caracteriza a acção política deste homem culto, intelectualmente respeitado e poeta de reconhecido mérito, é a dificuldade em afirmar a autoridade no interior do seu movimento e de se impor externamente. A sua história e a história do seu MPLA são uma sucessão de rupturas e dissenções internas: com Viriato da Cruz, com Mário de Andrade, e com os elementos da Revolta Activa, que impedem a congregação à sua volta do apoio inequívoco dos nacionalistas internacionais, de modo a transformar o MPLA em pólo unificador da luta anticolonial, atraindo outros movimentos e formações, como aconteceu, na Guiné, com o PAIGC de Amílcar Cabral, e com a Frelimo da Samora Machel, em Moçambique.

AMÍLCAR CABRAL: PAIGC

Amílcar Cabral (1924-1973)
Amílcar Cabral ocupou um dos mais importantes lugares entre todos os dirigentes nacionalistas das colónias portuguesas. A ele se deve o essencial das doutrinas, das estratégias, da organização de esforços e do estabelecimento de objectivos na luta contra o regime colonial português. Os seus princípios procuraram ser claros tanto quanto à Guiné, como aos povos dos outros territórios portugueses, tendo orientado o seu pensamento e acção por duas ideias fundamentais: a
luta nacionalista fazia-se contra o regime português e não contra o povo português, também ele vítima da ditadura; e a luta contra o regime português era a luta comum dos nacionalistas de todas as colónias portuguesas. A sua morte não afectou a caminhada da Guiné-Bissau para a proclamação da independência, mas viria a pôr em causa aquele que terá sido o seu mais acarinhado sonho – juntar as suas duas pátrias, Guiné e Cabo Verde.

1924, 12 de Setembro: Nasce em Bafatá, Guiné - 1932: Vai para Cabo Verde - 1943: Completa no Mindelo o curso liceal - 1944: Emprega-se na Imprensa Nacional, na Praia - 1945: Com uma bolsa de estudo, ingressa no I. S. Agronomia, em Lisboa - 1950: Termina o curso e trabalha na Estação Agronómica de Santarém - 1952: Regressa a Bissau, contratado para os S. Agrícolas e Florestais da Guiné - 1955: O governador impõe a sua saída da colónia; vai trabalhar para Angola; liga-se ao MPLA - 1956: Criação em Bissau do PAIGC - 1960: O Partido abre uma delegação em Conacri; a China apoia a formação de quadros do PAIGC - 1961: Marrocos abre as portas aos membros do Partido - 1963, 23 de Janeiro: Início da luta armada, ataque ao aquartelamento de Tite, no sul da Guiné; em Julho o PAIGC abre a frente norte - 1970, 1 de Julho: O papa Paulo VI concede audiência a Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Marcelino dos Santos; 22 de Novembro: O governador da Guiné-Bissau decide e Alpoim Calvão chefia a operação de "comando" "Mar Verde" destinada a capturar ou a eliminar os dirigentes do PAIGC sediados em Conacri: fracasso! - 1973, 20 de Janeiro: Amílcar Cabral é assassinado em Conacri.

PINHEIRO DE AZEVEDO: VI GOVERNO PROVISÓRIO

Pinheiro de Azevedo (n. 1917 - m. 1983)
Pinheiro de Azevedo
Nasceu em Luanda a 5 de Junho de 1917 e ingressou na Escola Naval em 1934.
Entre Fevereiro de 1968 e Agosto de 1971 foi adido naval na Embaixada Portuguesa em Londres. Membro da Junta de Salvação Nacional, seria promovido a Almirante e escolhido para chefe do Estado-Maior da Armada, de que foi exonerado em Janeiro de 1976. A 29 de Agosto de 75, é designado primeiro-ministro do VI Governo Provisório.
Candidata-se às eleições presidenciais de 1976 e, um ano depois, presidirá ao Partido da Democracia Cristã, onde se manteve até 1977. José Baptista Pinheiro de Azevedo faleceria a 10 de Agosto de 1983.

VASCO GONÇALVES: II,III,IV e V GOVERNOS PROVISÓRIOS

Vasco Gonçalves (n. 1922 - m. 2005)
Vasco Gonçalves
Militar. Surgiu no Movimento dos Capitães em Dezembro de 1973, numa reunião alargada da sua comissão coordenadora efectuada na Costa da Caparica. Coronel de engenharia viria a integrar a Comissão de Redacção do Programa do Movimento das Forças Armadas. Passou a ser o elemento de ligação com Costa Gomes.
Elemento da Comissão Coordenadora do MFA, foi, mais tarde,
primeiro-ministro de sucessivos governos provisórios (II a V).
 Tido geralmente como pertencente ao grupo dos militares próximos do PCP, perdeu toda a sua influência na sequência dos acontecimentos de 25 de Novembro de 1975

ADELINO PALMA CARLOS: I GOVERNO PROVISÓRIO

Adelino Palma Carlos (n. 1905 - m. 1992)
Adelino Palma Carlos
Adelino da Palma Carlos: Primeiro-Ministro do I Governo Provisório (de 17 de Maio a 18 de a Julho de 1974). Foi a este prestigiado advogado de ideias liberais que Spínola recorreu para chefiar o primeiro governo saído da revolução de 1974. Com ligações a importantes grupos económicos e insuspeito de simpatias esquerdistas, tinha o perfil necessário para garantir a respeitabilidade do novo governo nos meios conservadores e internacionais. Mas, numa conjuntura política em que a balança da relação de forças se inclinava decididamente para esquerda,aliás fortemente representada no seio do governo, a sua tarefa não seria fácil. Tanto mais que Spínola, seu principal apoio institucional, experimentava dificuldades crescentes junto do MFA. Em vão procurou o Presidente da República criar uma forte corrente nacional e militar que reforçasse a sua posição política, através de deslocações pelo País e apelos ao "bom povo português".
O próprio Conselho de Estado viria a recusar as suas propostas de concentração do poder nas instâncias presidencial e governamental através de um referendo constitucional. Em consequência disto, Palma Carlos pedirá a sua demissão.

PALMA INÁCIO

Hermínio da Palma Inácio (n. 1922 - 2009)
Hermínio da Palma Inácio

Mecânico da Aeronáutica civil, destacado militante e fundador da LUAR, protagonizou algumas arrojadas operações de sabotagem contra o regime salazarista; foi um dos principais intervenientes no assalto ao Banco de Portugal na Figueira da Foz em 1974.
Foi libertado da prisão de Caxias em 25-4-74. Militante do PS no pós 25 de Abril, foi indicado pelo Presidente Mário Soares, em 1995, para receber a Ordem da Liberdade, ordem que não viria a ser-lhe conferida por alegadas pressões exercidas por sectores mais conservadores da sociedade portuguesa.