13 de abril de 2014

Até 11 de Março (1975)


29 de Setembro Em reunião com o Presidente da República e com a JSN, a Comissão Coordenadora informa que retira o seu mandato a Galvão de Melo, Silvério Marques e Diogo Neto.

O Presidente da República reune o Conselho de Estado, que recusa a sua proposta de proclamação do estado de sítio.
30 de SetembroNo decurso de nova reunião do Conselho de Estado, o General Spínola demite-se do cargo de Presidente da República, que anuncia em comunicação televisiva.
O General Costa Gomes é nomeado Presidente da República, cargo que acumula com o de CEMGFA.
1 de OutubroToma posse o III Governo Provisório, chefiado por Vasco Gonçalves.
2 de OutubroÉ publicado o Decreto-Lei nº 516/74, que determina que as pastas da Defesa e da Comunicação Social passam a depender do Primeiro Ministro.
5 de OutubroA ponte sobre o Tejo é rebaptizada com o nome Ponte 25 de Abril.
6 de OutubroMilhares de pessoas voluntariam-se para trabalhar no domingo, correspondendo ao apelo do Primeiro Ministro para dedicarem um dia de trabalho gratuito em favor da Nação.
8 de OutubroCarlos Fabião e Fisher Lopes são nomeados para a JSN, em substituição dos membros entretanto destituídos.
12 de OutubroÉ publicado o Decreto-Lei nº 540-A/ 74, que confere ao Governo competência para intervir através da nomeação de delegados ou administradores na gestão de instituições de crédito.
13 de OutubroTermina o Plenário da Intersindical, reunido no Porto, que se pronuncia a favor da unicidade sindical.
14 de OutubroTem início a Operação Komodo, plano clandestino indonésio de ocupação de Timor-Leste.
19 de OutubroO Ministro da Coordenação Intereterritorial, António de Almeida Santos, visita Timor.
20 de OutubroDecorre em Lisboa o VII Congresso (Extraordinário) do PCP, o primeiro realizado na legalidade.
06916.006.024
22 OutubroNa sequência de contactos com o Governo português, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) declara o cessar-fogo.
04791.02523 de OutubroSão anunciadas as “Campanhas de Dinamização Cultural”, da responsabilidade da Comissão Coordenadora Central da 5ª Divisão do Estado Maior General das Forças Armadas, que têm por finalidade a divulgação do ideário do MFA e a colocação das Forças Armadas ao serviço do povo português.
3 de NovembroO MDP/CDE constitui-se como partido político.
4 de NovembroO Ministro sem Pasta, Vítor Alves, inicia um périplo por diversos países da CEE, com vista ao reforço de laços económicos e obtenção de financiamentos.
Forças de extrema-esquerda tentam impedir a realização do primeiro comício da Juventude Centrista, organização de juventude do CDS, que se realiza no Teatro S. Luiz. De seguida, dirigem-se para a sede do partido, no Largo do Caldas, alvo de invasão e pilhagem.
7 de NovembroÉ publicado o Decreto-Lei nº 595/74, que regulamenta a actividade dos partidos políticos.
10 de NovembroA Frente de Libertação do Enclave de Cabinda ataca o contigente militar português presente no território.
13 de NovembroSão empossados os Governadores de Macau e Timor, Garcia Leandro e Lemos Pires, respectivamente.
15 de NovembroÉ publicada a Lei nº 10/74, que determina a criação do cargo de Alto Comissário para Cabo Verde, para o qual é nomeado o Almirante Almeida d’Eça.
Em reunião do Conselho dos Vinte é decidida a criação de novas estruturas intermédias do MFA. É deliberada a instituição de uma Assembleia de Delegados do Movimento em cada um dos três ramos das Forças Armadas e a Assembleia Geral, com representantes dos três ramos, comummente designada por Assembleia dos Duzentos.
São publicados os Decretos-Lei nºs 621-A, 621-B e 621-C/74, que definem as capacidades eleitorais, o recenseamento e o sistema eleitoral.
16 de NovembroFrank Carlucci é nomeado embaixador dos Estados Unidos da América em Lisboa, em substituição de Stuart Nash Scott.
20 de NovembroMelo Antunes, Ministro sem Pasta, Pezarat Correia, na qualidade de representante do MFA e Fernando Reino, em representação do Ministério dos Negócios Estrangeiros, encontram-se em Argel com uma delegação do MPLA chefiada por Agostinho Neto, com a finalidade de debater a independência de Angola.
21 de NovembroÉ promulgado o Decreto-Lei nº 647/74, que reintegra Humberto Delgado no cargo de General da Força Aérea, a título póstumo.
23 de Novembro
Tem lugar em Lisboa o I Congresso do PPD. Sá Carneiro é confirmado na liderança do partido.
25 de NovembroÉ publicado o Decreto-Lei nº 660/74, que confere ao Governo o direito de intervir directamente nas empresas privadas sempre que o seu normal funcionamento o exija.
27 de NovembroÉ publicada a Lei nº 11/74, que consagra o Regime Constitucional Provisório de Angola, bem como a criação do cargo de Alto Comissário para o território.
6 de DezembroRealiza-se a primeira reunião da Assembleia dos Duzentos, na qual se debate o Plano Económico de Transição proposto por Melo Antunes.
9 de DezembroTem início o recenseamento eleitoral.
13 de DezembroInicia-se em Lisboa o I Congresso do PS na legalidade. Mário Soares é eleito Secretário-Geral do partido.
06278.05030
16 de DezembroÉ fundada a União Democrática Popular (UDP), resultante da junção de diversos grupos de extrema-esquerda.
17 de DezembroÉ tornado público o acordo estabelecido entre o Governo português e o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe, que define os termos do processo de descolonização do território.
19 de DezembroÉ publicado o Decreto-Lei nº 724/74, que atribui o subsídio de Natal aos beneficiários de pensões de invalidez, velhice e de sobrevivência.
É assinado entre o Governo português e o PAIGC o acordo para a independência de Cabo Verde.
06278.00580
22 de DezembroÉ empossado, sob a presidência de Leonel d’Alva o Governo de Transição de São Tomé e Príncipe.
26 de DezembroO PCP é o primeiro partido a apresentar o seu pedido de legalização ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ).
28 de DezembroA Assembleia dos Duzentos reúne no Instituto de Sociologia Militar. São novamente debatidas as propostas económicas de Melo Antunes, constantes do plano entretanto renomeado como Plano Económico de Emergência.
31 de DezembroNa sua primeira conferência de imprensa, a Comissão Coordenadora do MFA afirma o seu compromisso com a revolução e a missão de servir “os trabalhadores em geral e os operários e camponeses em particular”.
1975
3 de JaneiroA Assembleia Geral do Sindicato dos Bancários de Lisboa propõe ao Governo a nacionalização da banca.
06278.00589
09728.0256 de JaneiroÉ fundado o Exército de Libertação de Portugal (ELP), organização que congrega elementos conotados com o Estado Novo e com a direita radical, e que será responsável por atentados bombistas e ataques a sedes de partidos de esquerda ao longo dos anos de 1975/76.
7 de JaneiroEm artigo publicado no Diário de Notícias, Salgado Zenha, dirigente socialista, põe em causa a legitimidade da unicidade sindical. Está aberto o primeiro grande conflito entre o PS e o PCP.
06916.006.02310 de Janeiro
Têm início em Alvor as conversações com vista à independência de Angola, com a presença de delegações do três movimentos de libertação (FNLA, MPLA e UNITA).
11 de JaneiroOs trabalhadores da refinaria da SACOR em Matosinhos decretam uma paralisação.
13 de JaneiroO Conselho dos Vinte pronuncia-se a favor da unicidade sindical.
O CDS apresenta o pedido de legalização ao STJ.
14 de JaneiroA Intersindical realiza, junto do Ministério do Trabalho, uma manifestação de apoio à unicidade sindical.
15 de JaneiroSão assinados os Acordos de Alvor, pelo Governo português e os movimentos de libertação angolanos, que estabelecem os termos do processo de independência de Angola, agendada para 11 de Novembro de 1975. Serão formalizados no dia 28 de Janeiro.
16 de JaneiroEm resposta à manifestação da Intersindical, o PS realiza um comício no Pavilhão dos Desportos, centrado na questão da unicidade.
17 de Janeiro
O Episcopado emite uma nota pastoral em defesa da liberdade sindical.
O PPD apresenta o pedido de legalização ao STJ.
20 de JaneiroO Conselho de Ministros aprova, por maioria, a unicidade sindical.
25 de JaneiroO I Congresso do CDS, reunido no Palácio de Cristal, no Porto, é interrompido na sequência de incidentes provocados por grupos esquerdistas, que cercam o recinto, situação que requer a intervenção das Forças Armadas.
27 de JaneiroRosa Coutinho cessa as funções de Alto Comissário e de Presidente da Junta Governativa de Angola, que assumira em Novembro de 1974.
28 de Janeiro
A Assembleia do MFA aprova por maioria o princípio da unicidade sindical.
É publicado o Decreto-Lei nº 34/75, que nomeia o Brigadeiro Silva Cardoso Alto Comissário em Angola.
30 de Janeiro
É publicada a Lei nº 1/75, que estabelece o Estatuto Constitucional de Angola.
O MDP apresenta o pedido de legalização ao STJ.
31 de JaneiroÉ empossado o Governo de Transição de Angola, chefiado por um Colégio Presidencial composto por um representante de cada um dos movimentos de libertação. O Governo será presidido pelo Alto Comissário, Brigadeiro Silva Cardoso, que se demitiria em 30 de Julho.
1 e 2 de Fevereiro
Tem lugar, na Figueira da Foz, o I Congresso do PDC.
4 de FevereiroO I Congresso do PDC, reunido na Figueira da Foz, é interrompido a pedido da Região Militar do Centro, em face do perigo de confrontos com elementos da extrema-esquerda.
6 de FevereiroA Assembleia dos Duzentos decide a institucionalização do MFA.
8 de FevereiroO Conselho de Ministros aprova o Plano de Política Económica e Social, vulgarmente designado Plano Melo Antunes.
9 de FevereiroTem lugar a I Conferência dos Trabalhadores Agrícolas do Sul, que exigem uma reforma agrária que elimine os latifúndios e distribua as terras pelos assalariados rurais.
12 de FevereiroO PS apresenta o pedido de legalização ao STJ.
06278.00555
13 de FevereiroÉ assinado pelo Governo português e pela Santa Sé o Protocolo Adicional à Concordata, que reconhece o direito ao divórcio civil aos casados catolicamente, até então proibido por força do seu artº 24º.
A UDP e o PDC apresentam o pedido de legalização ao STJ.
17 de FevereiroO PPM apresenta o pedido de legalização ao STJ.
18 de Fevereiro
O MRPP apresenta o pedido de legalização ao STJ.
19 de FevereiroTem início a greve dos trabalhadores da Rádio Renascença, em protesto pelo despedimento de trabalhadores em Setembro de 1974.
20 de FevereiroO Conselho dos Oito do MFA, composto por Vasco Gonçalves, Rosa Coutinho, Melo Antunes, Pinho Freire, Pereira Pinto, Vasco Lourenço, Almada Contreiras e Costa Martins, reune com os principais partidos políticos para debater a institucionalização do MFA.
O MES apresenta o pedido de legalização ao STJ.
21 de FevereiroA Frente Eleitoral de Comunistas-Marxistas Leninistas (FEC-ML) e a Aliança Operário-Camponesa (AOC) apresentam o pedido de legalização ao STJ.
O CDS realiza, à porta fechada, na sua sede do Porto, a segunda sessão do I Congresso. Freitas do Amaral é eleito presidente.
26 de FevereiroÉ publicado o Decreto-Lei nº 85-C/75, que regula a liberdade de imprensa.
27 de FevereiroO Partido de Unidade Popular (PUP) apresenta o pedido de legalização ao STJ.
28 de FevereiroA Frente Socialista Popular (FSP) apresenta o pedido de legalização ao STJ.
1 de MarçoDecorre em Lisboa, o I Congresso da Liga de Unidade e Acção Revolucionária (LUAR), movimento fundado em Paris, em 1967, responsável, entre outras acções,  pelo assalto, em Junho daquele ano à dependência do Banco de Portugal na Figueira da Foz.
É adiado por ordem do General Spínola um golpe de Estado que os sectores que lhe eram afectos estavam a preparar.
3 de Março
A Liga Comunista Internacionalista (LCI) apresenta o pedido de legalização ao STJ
6 de MarçoO Conselho de Estado é informado da existência uma conspiração golpista por parte dos sectores spinolistas.
8 de MarçoAlertado pelos serviços de informação espanhóis de uma operação de captura e execução de implicados em iniciativas golpistas – que seria designada por “Matança da Páscoa” – o General Spínola precipita a execução do golpe de Estado que vinha sendo gizado, que terá lugar em 11 de Março.
11 de Março
06916.005.029
O General Spínola, acompanhado de militares que lhe são próximos, deslocam-se nas primeiras horas da manhã à Base Aérea de Tancos.
11.45 – Aviões provenientes da Base Aérea de Tancos bombardeia o Regimento de Artilharia 1 (RAL 1), cujas instalações são simultaneamente cercadas por elementos do Regimento de Caçadores Pára-Quedistas.
12.00 – Um grupo de oficiais da GNR, comandados pelo Major Freire Damião detém o Comandante-Geral, General Pinto Ferreira e militares fiéis ao MFA.
12.05 – As tropas estacionadas no RAL 1, comandadas por Diniz de Almeida, preparam-se para responder ao cerco. Entretanto, o COPCON inicia operações tendentes a pôr cobro ao golpe e ocupa o Aeroporto da Portela.
Contactados pelo General Spínola, Jaime Neves e Almeida Bruno recusam colaborar com o golpe, não mobilizando o Batalhão de Comandos da Amadora.
A Intersindical apela à mobilização popular contra o golpe, sendo organizados piquetes de trabalhadores em locais estrategicamente relevantes.
As sedes do CDS, do PDC e da CIP em Lisboa são assaltadas, assim como a sede do PPD no Porto. A vaga de assaltos prolongar-se-á noutras cidades do país ao longo do dia 12.
14.40 – Os elementos do  Regimento de Caçadores Pára-Quedistas de Tancos estacionados nas imediações do RAL 1 levantam o cerco, após negociações com elementos do MFA.
15.00 – O General Spínola admite o fracasso do golpe. Partirá ainda no dia 11 com destino ao exílio, em Espanha.
17.00 – Os militares revoltosos da GNR apresentam a rendição.
Em reunião extraordinária da Assembleia do MFA, é decidida a imediata institucionalização do Movimento, a criação do Conselho da Revolução, que substitui o Conselho de Estado, bem como uma ampla política de nacionalizações e de reforma agrária. A Assembleia aprova a realização das eleições para a Assembleia Constituinte.

ATÉ 28 DE SETEMBRO 1974


26 de Abril

06278.005221.30 – Frente às câmaras da RTP, a JSN apresenta-se ao país. É composta pelas seguintes personalidades: General António de Spínola, que assume a presidência da Junta, General Francisco da Costa Gomes, General Manuel Diogo Neto, Brigadeiro Jaime Silvério Marques, Coronel Carlos Galvão de Melo, Capitão de Mar e Guerra José Baptista Pinheiro de Azevedo, Capitão de Fragata António Rosa Coutinho.
7.30 – Vítor Alves apresenta à comunicação social o Programa do MFA, que fora, durante a madrugada, objecto de negociações com o o General Spínola, com vista à sua revisão.
07337.017.003
7.40 – Américo Thomaz, Marcello Caetano, Joaquim Silva Cunha, ex-Ministro da Defesa e César Moreira Baptista, ex-Ministro do Interior, são transportados para o Funchal, onde permanecerão em residência vigiada.
10079.001.0059.00 – A PIDE/DGS decide, por fim, render-se, sendo o edifício ocupado por forças do Exército e da Marinha, comandadas respectivamente por Campos Andrada e Luis Costa Correia.
23.30 – São libertados os presos políticos detidos em Caxias, ocupado por forças de Fuzileiros e Pára-Quedistas, comandados, respectivamente, pelo capitão-tenente Abrantes Serra e pelo capitão Mário Pinto.
A JSN faz a sua primeira conferência de imprensa, no Quartel da Pontinha.
A Intersindical delibera a ocupação dos sindicatos nacionais, que se multiplicam no decurso das semanas seguintes.
27 de Abril
02.30 – São libertados os presos políticos detidos no Forte de Peniche.
É publicado o Decreto-Lei nº 174/74, que nomeia Delegados da JSN junto dos Ministérios, até à nomeação de um Governo Provisório.
É publicado o Decreto-Lei nº 175/74, que decreta do dia 1 de Maio como feriado nacional, comemorativo do Dia do Trabalhador.
Em cumprimento do Programa do MFA, a JSN inicia contactos com representantes de movimentos e correntes políticos. São recebidos o Movimento Democrático Português/Comissão Democrática Eleitoral (MDP/CDE), a Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES) e a Convergência Monárquica.
A Intersindical apresenta um caderno reivindicativo contendo exigências de carácter laboral e político.
28 de AbrilDecorre o Encontro Nacional do MDP/CDE, com a participação de representantes do PCP e do PS, no qual é aprovado um memorando a apresentar à JSN
06278.04184Mário Soares regressa do exílio em Paris. É acompanhado na viagem de comboio por diversos dirigentes socialistas entre os quais se contam Tito de Morais, Ramos da Costa e Fernando Oneto
29 de AbrilVasco Lourenço, que fora transferido para os Açores em Março, regressa a Lisboa.
O General Spínola reune-se na Cova da Moura com os administradores dos principais bancos portugueses.
É publicado o Decreto-Lei nº 176/74, que exonera dos reitores das Universidades e as direcções das Escolas Superiores e Institutos Universitários.
Costa Gomes é nomeado CEMGFA, cargo de que fora demitido por Marcello Caetano.
30 de AbrilÉ publicado o decreto-Lei nº 190/74 que determina o saneamento dos quadros das Forças Armadas.
A JSN autoriza o regresso dos exilados políticos.
Regressa a Lisboa, proveniente de Praga, onde estava exilado, o secretário-geral do PCP, Álvaro Cunhal, acompanhado de Domingos Abrantes e Conceição Matos.
06819.169.26708
São ocupadas, por elementos afectos à Intersindical, as instalações do Ministério das Corporações e Segurança Social, na Praça de Londres, que passa a ser designado como Ministério do Trabalho.
1 de MaioSão libertados presos políticos em Moçambique, detidos na prisão da Machava.07210.226.000
06278.06020Realizam-se por todo o país manifestações evocativas do Dia do Trabalhador. Em Lisboa, no antigo Estádio da FNAT, entretanto rebaptizado Estádio 1º de Maio, decorre uma grande manifestação que conta com a presença, entre outros, de Mário Soares, Álvaro Cunhal, Francisco Pereira de Moura, José Manuel Tengarrinha e Arlindo Vicente. Simultaneamente, decorre no Terreiro do Paço, uma manifestaçao organizada pelo MRPP, sob o signo “1º de Maio Vermelho”.
São libertados os nacionalistas africanos detidos no Campo de Trabalho de Chão Bom, antigo campo de concentração do Tarrafal.
Regressam do exílio os cantores José Afonso, José Mário Branco e Luis Cília.
2 de MaioTrabalhadores da Siderurgia Nacional apelam ao saneamento da administração. Nas semanas seguintes, semelhantes reivindicações serão feitas em numerosas empresas.
São demitidas as direcções de diversos órgãos de imprensa.
Tem início o conflito laboral na Rádio Renascença, que se agudizaria nos meses seguintes, despoletado pela proibição pela administração da estação emissora da emissão de reportagens sobre o regresso do exílio de Mário Soares, Álvaro Cunhal, Luis Cília e José Mário Branco.
São ocupadas casas pertencentes à Fundação Salazar. As ocupações de casas devolutas intensificar-se-iam nos meses seguintes.
3 de MaioSão libertados mais de 4 mil presos políticos do campo de concentração de São Nicolau, em Angola.
4 de Maio
A Conferência Episcopal Portuguesa pronuncia-se em Nota Pastoral sobre os acontecimentos recentes, assumindo a defesa do pluralismo político e exortando os sacerdotes a não militarem em partidos políticos.
Militantes do Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP) impedem o embarque de tropas para a Guerra Colonial.
Spínola convoca representantes de movimentos políticos para uma reunião na Palácio de Belém, com vista à preparação do Governo Provisório. Além de membros do MFA, estão presentes dirigentes do PCP, MDP/CDE, PS, Convergência Monárquica, bem como os fundadores dos futuros PPD (Partido Popular Democrático) e Centro Democrático Social (CDS).
5 de MaioSão libertados presos políticos do presídio da Ilha das Galinhas, na Guiné-Bissau.
A Associação Industrial Portuguesa expressa, em comunicado, o seu apoio à JSN e o desejo de aproximação de Portugal à CEE.
É fundado o Partido Cristão Social Democrata (PCSD), por António da Cunha Coutinho e Frei Bento Domingues, que se fundirá com o Partido Democrático Popular Cristão (PDPC), dirigido por Nuno Calvet de Magalhães
6 de MaioDecorre a primeira reunião plenária do MFA, na qual é discutido o afastamento dos oficiais-generais mais próximos do regime deposto.
É fundado por Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão e Joaquim Magalhães Mota, antigos deputados da Ala Liberal da Assembleia Nacional, o Partido Popular Democrático (PPD).
É publicado o Decreto-Lei nº 191/74, que estabelece medidas transitórias que garantam o abastecimento de bens essenciais e evitem a fuga de capitais.
É fundado por antigos membros da ANP, da cooperativa Cidadela, da Associação Programa e outras organizações de direita, o Movimento Federalista Português, que assumirá, após o reconhecimento pelo Governo Provisório, do direito à independência dos territórios coloniais, a designação de Partido do Progresso (PP)
7 de Maio
É criado, por despacho do CEMGFA, o Serviço de Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e LP.
8 de MaioCarlos Fabião é nomeado delegado da JSN na Guiné.
São ocupadas as instalações da Federação das Caixas de Previdência e nomeada uma comissão ad hoc para gerir a instituição.
9 de MaioA ONU apela à JSN que estabeleça negociações com os movimentos de libertação africanos.
O delegado da JSN junto do Ministério do Trabalho reune com representantes sindicais e anuncia a homologação de todos os contratos colectivos de trabalho ainda em fase de negociação.
O General Spínola recebe empresários e banqueiros.
10 de MaioCosta Gomes inicia uma visita a Angola e Moçambique, acompanhado pelo General  Diogo Neto.
É fundado o Movimento de Esquerda Socialista (MES) que conta, entre os fundadores, com Jorge Sampaio, César de Oliveira, João Cravinho, José Manuel Galvão Teles e Victor Wengorovius.
É criado o Partido da Democracia Cristã (PDC) por iniciativa de, entre outros, Nuno Calvet de Magalhães, João da Costa Figueira e Henrique de Sousa e Melo.
A JSN condena a ocupação de imóveis devolutos.
Termina a primeira Reunião Plenária da Intersindical que aprova dois documentos orientadores da acção sindical, “Reestruturação e Organização Sindical” e “Para uma Estratégia do Movimento Sindical no Momento Actual”.
11 de Maio
É fundada a União Democrática Timorense (UDT).
Trabalhadores da Lisnave apresentam um caderno reivindicativo à administração da empresa.
12 de MaioEntram em greve os trabalhadores do sector têxtil da Covilhã, os pescadores da Nazaré e os mineiros da Panasqueira.
14 de MaioÉ publicada a Lei nº 2/74, que extingue a Assembleia Nacional e a Câmara Corporativa.
É publicada a Lei nº 3/74, que define a estrutura constitucional transitória até à promulgação de uma nova Constituição.
15 de MaioÉ publicado o Decreto-Lei nº 203/74, que define o Programa de Governo e respectiva orgânica.
O General Spínola é empossado no cargo de Presidente da República, em cerimónia que decorre no Palácio de Queluz.
06278.07121Tem início uma greve na Lisnave. Nos meses seguintes, intensificar-se-á uma vaga grevista, que afecta transversalmente os diversos sectores de actividade. Aumentam também substancialmente as manifestações  e plenários de trabalhadores e o saneamento das administrações.
16 de MaioToma posse o I Governo Provisório, chefiado por Adelino da Palma Carlos. Ocupam as funções de Ministros Sem Pasta Álvaro Cunhal, Francisco Sá Carneiro e Francisco Pereira de Moura.
17 de MaioMário Soares, Ministro dos Negócios Estrangeiros, encontra-se em Dakar com o secretário-geral do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Aristides Pereira, para conversações com vista ao estabelecimento do cessar-fogo na Guiné.
20 de MaioAmérico Thomaz e Marcello Caetano partem para o exílio no Brasil.
É fundada a Associação Social Democrata Timorense (ASDT) que, em 11 de Setembro adopta a designação de Frente de Libertação de Timor (FRETILIM).
21 de MaioAs instalações da Companhia das Águas de Lisboa são ocupadas pelos trabalhadores.
23 de MaioA Intersindical critica a vaga grevista.
É fundado o Partido Popular Monárquico (PPM), criado por iniciativa sa Convergência Monárquica, federação de diversos movimentos monárquicos independentes.
24 de MaioO general Costa Gomes, na qualidade de CEMGFA, decreta que todos os oficiais, sargentos e praças sejam integrados no MFA.
10078.001.00925 de MaioProsseguem, em Londres, as negociações entre o o Governo português e o PAIGC, lideradas, respectivamente, por Mário Soares e Pedro Pires.
27 de MaioTem início uma greve de zelo na Timex.
28 de MaioÉ criado o Partido Liberal (PL), que se reclama representante da “maioria silenciosa” do povo português. Resultante de uma cisão na Convergência Monárquica, discordante dos fundamentos do PPM, e ao qual se associam militantes da Acção Católica, conta, entre os seus fundadores, com António Ávila, Osvaldo Aguiar e Gastão da Cunha Ferreira
29 de MaioO Presidente da República inicia no Porto, um périplo pelas principais cidades do país.
30 de Maio
Prosseguem, em Londres, as negociações entre o Governo português e o PAIGC.
O Presidente da República reune-se com sindicalistas, a quem apela ao fim da instabilidade laboral.
31 de Maio
É empossado o Conselho de Estado, organismo composto por vinte e um elementos: os membros da JSN, sete representantes do MFA e sete cidadãos de reconhecido mérito, desginados pelo Presidente da República. O Conselho de Estado assume a responsabilidade pelo sancionamento e veto dos diplomas do Governo, pela ficalização dos seus actos, bem como pela verificação da constitucionalidade das normas jurídicas aprovadas pelo Executivo.
1 de Junho
Decorre em Lisboa uma manifestação da Intersindical, apoiada pelo PCP, de contestação à vaga grevista.
3 de JunhoO Presidente da República visita Tomar.
Tem início uma greve geral na Timex.
5 de JunhoDecorre, na Manutenção Militar, o primeiro Plenário dos militares do Exército do MFA, em que participam cerca de oitocentos oficiais.
6 de Junho
Em visita a Évora, o Presidente da República adverte para os perigos de radicalização da situação política.
É tornado público, nas páginas do Correio dos Açores, um comunicado do Movimento de Autodeterminação do Povo Açoriano (MAPA), no qual é reclamado o direito à autodeterminação do arquipélago.
04480.0767 de JunhoJosé Luis Saldanha Sanches, director do orgão central do MRPP Luta Popular, é preso no Forte da Graça, em Elvas.
8 Junho
06278.00616
Início das negociações entre as delegações do Governo Português e da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique), chefiadas respectivamente por Mário Soares e Samora Machel, sob a égide de Kenneth Kaunda, Presidente da Zâmbia.
9 de JunhoPortugal restabelece relações diplomáticas com a União Soviética e com a Jugoslávia.
10 de Junho
Decorrem em Lisboa e no Porto manifestações em defesa de uma solução federalista para os territórios coloniais .
Realiza-se em Lisboa uma manifestação de apoio ao MFA, que termina no Palácio de Belém.
É fundada a Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), por iniciativa, entre outros, de Vasco de Mello e José Manuel Morais Cabral.
O Partido Trabalhista Democrático Português (PTDP), fundado em 3 de Maio, elege o General Spínola como presidente honorário, propondo a sua elevação a marechal.
11 de JunhoSilvino Silvério Marques e Henrique Soares de Melo são nomeados, respectivamente, Governadores- Gerais de Angola e Moçambique.
12 de Junho
É publicado o Decreto-Lei nº 251/74, que garante o acesso a ambos os sexos e em condição de igualdade a todos os cargos judiciários.
13 de JunhoDecorre na Manutenção Militar um Plenário do MFA e da JSN, presidido pelo Presidente da República, estando também presentes o Primeiro Ministro, Francisco Sá Carneiro, Vasco Vieira de Almeida, Ministro da Coordenação Económica, e Mário Firmino Miguel, Ministro da Defesa Nacional. O General Spínola, propõe a realização de um referendo constitucional e a eleição simultânea do Chefe de Estado.
Tem início a Assembleia Geral da Intersindical, que define como propósito a criação de “um movimento sindical unitário e independente”.
14 de JunhoTem início em Argel uma ronda negocial entre as delegações do Governo português e do PAIGC.
Decorre um encontro entre a delegação do Governo português e a delegação da UNITA, chefiada pelo seu líder Jonas Savimbi.
15 de Junho
Surge o primeiro comunicado do Movimento Popular Português (MPP), composto por personalidades ligadas ao Círculo de Estudos Sociais Vector e à revista Resistência, criticando o processo de descolonização.
17 de JunhoOs trabalhadores dos CTT e da TAP entram em greve.
19 de JunhoO Presidente da República encontra-se com o Presidente norte-americano, Richard Nixon, na Base das Lages. É acompanhado por Francisco Sá Carneiro e Diogo Neto.
20 de JunhoTem início uma vaga de encerramentos de empresas têxteis.
22 de Junho
É extinto o Movimento Nacional Feminino.
23 de Junho
É fundada a Associação dos Deficientes das Forças Armadas.
24 de Junho
Familiares de soldados destacados no Ultramar manifestam-se exigindo o seu regresso.
25 de Junho
É publicado o Decreto-Lei nº 278/74, que confere ao Governo a gestão da RTP.
É publicado o Decreto-Lei nº 281/74 que define as regras de liberdade de imprensa e cria uma Comissão “Ad-Hoc” para a comunicação social, presidida por António Ramalho Eanes.
Palma Carlos encontra-se em Bruxelas com o seu homólogo britânico, Harold Wilson.
O Governo toma posse da Empresa de Águas de Lisboa, na sequência da ocupação das suas instalações por trabalhadores que reivindicam a sua nacionalização.
26 de JunhoSão publicados os Decretos-Lei nºs 283, 284 e 285/74 que nomeiam as Comissões Liquidatárias da ANP, PIDE/DGS e LP, respectivamente.
1 de JulhoTem lugar na Guiné uma Assembleia do MFA.
É criada a Agência Noticiosa Portuguesa (ANOP), que substitui a Agência Nacional de Informação (ANI).
5 de JulhoO Presidente da República apresenta no Conselho de Estado um conjunto de propostas, em que avultam a convocação de eleições presidenciais e a referenda de uma Constituição provisória para Outubro de 1974, o adiamento para Novembro de 1976 das eleições para a Assembleia Constituinte e o reforço dos poderes do Primeiro Ministro.
6 de JulhoO MFA, reunido no Quartel-General da antiga LP, na Penha de França, manifesta oposição às propostas apresentadas no dia anterior pelo Presidente da República ao Conselho de Estado, excepto no que respeita ao reforço de poderes do Primeiro Ministro. A Comissão Coordenadora do MFA reune igualmente, manifestando discordância com as propostas do Chefe de Estado.
8 de Julho
O Conselho de Estado recusa as propostas formuladas pelo Presidente da República.
É publicado o Decreto-Lei nº 310/74, que cria o Comando Operacional do Continente (COPCON), visando garantir às Forças Armadas as necessárias condições para assegurarem o efectivo cumprimento do Programa do MFA, assegurando a ordem pública e a salvaguarda de pessoa e bens.
O Presidente da República encontra-se com o seu homólogo senegalês, Léopold Senghor, em escala por Lisboa.
9 de JulhoO Primeiro Ministro apresenta a demissão. Acompanham-no os ministros Firmino Miguel, Vasco Vieira de Almeida, Sá Carneiro e Magalhães Mota.
10 de Julho
Tem lugar uma reunião do MFP, MPP, PL e PTDP, que criticam em comunicado o silenciamento a que tem sido votada a maioria dos portugueses e exortam ao cumprimento integral do Programa do MFA.
11 de JulhoO Presidente da República, em visita à Base Militar do Alfeite, endurece as críticas à situação política e militar.
13 de JulhoOtelo Saraiva de Carvalho, graduado no posto de Brigadeiro, é empossado nos cargos de comandante da RML e de comandante-adjunto do COPCON, organismo, segundo o qual, se destinava“à defesa intransigente do cumprimento do Programa do Movimento das Forças Armadas (…) contra eventuais manobras reaccionárias”.
Em face do prolongamento da greve na TAP, forças policiais ocupam as instalações da empresa, registando-se incidentes.
15 de Julho
É criado o Partido Social Democrata Português (PSDP) que conta, entre os seus dirigentes, com Adelino da Palma Carlos.
18 de JulhoToma posse o II Governo Provisório, chefiado pelo coronel Vasco Gonçalves. São Ministros Sem Pasta Álvaro Cunhal, Ernesto Melo Antunes, Vítor Alves e Joaquim Magalhães Mota.
É criada a 5ª Divisão do Estado Maior General das Forças Armadas, com a finalidade de divulgar o ideário do MFA.
19 JulhoÉ fundado o Partido do Centro Democrático Social (CDS), presidido por Diogo Freitas do Amaral.
Trabalhadores da Fundação Calouste Gulbenkian ocupam as instalações da instituição, exigindo o saneamento da administração.
24 de JulhoÉ publicada a Lei nº 6/74, que cria as Juntas Governativas de Angola e Moçambique, em resposta ao agravamento da situação política e militar nestes territórios. Rosa Coutinho é nomeado Presidente da Junta Govenativa de Angola, que acumula com o cargo de Comandante-Chefe das Forças Armadas, que já ocupava.
É fundado, no Porto, o Partido Nacionalista Português (PNP), composto por elementos das entretanto extintas ANP e LP.
07536.009.00125 de Julho
Decorre em Lisboa, no Estádio 1º de Maio, uma manifestação de apoio ao Governo Provisório e ao MFA.
06278.0056827 de JulhoÉ publicada a Lei nº 7/74, que reconhece o direito à independência das províncias ultramarinas.
29 de JulhoPires Veloso é nomeado Governador-Geral de São Tomé e Príncipe.
Têm lugar em diversas cidades do país manifestações de regozijo pelo fim da guerra colonial.
31 de JulhoO General Galvão de Melo, na qualidade de responsável pelo Serviço da Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e LP assina a ordem para sumário de culpa, dando início à investigação judicial, segundo o que determinava o Código da Justiça Militar, dado que os funcionários da PIDE/DGS envolvidos no crime estavam sujeitos a justiça militar.
2 de AgostoDesloca-se a Lisboa o Presidente do Conselho da Europa, Walter Hofe, para negociações visando a integração de Portugal nesta instituição.
O Presidente da República visita o Regimento de Pára-Quedistas, em Tancos.
4 de AgostoPortugal e a ONU emitem uma declaração conjunta, na qual o Governo português reafirma o propósito de cumprir o constante do Cap. XI da Carta das Nações Unidas, no que respeita à concessão da independência aos territórios coloniais.
7 de AgostoO capitão-de-fragata Henrique da Silva Horta é nomeado Governador-Geral de Cabo Verde.
12 de AgostoMotim de agentes da PIDE/DGS, detidos na Penitenciária de Lisboa.
15 de AgostoDecorrem em Dar-es-Salam, capital da Tanzânia, negociações entre as delegações portuguesa, chefiada por Melo Antunes, e a delegação da FRELIMO.
19 de AgostoÉ publicado o Decreto-Lei nº 366/74, que nomeia as Comissões Ministeriais de Saneamento.
20 de AgostoÉ publicado o Decreto-Lei nº 372/74, que fixa os novos valores dos salários dos funcionários públicos e aumenta as pensões de aposentação, reforma e invalidez.
21 de AgostoTem início uma greve no Jornal do Comércio. Os trabalhadores exigem a demissão do director
É anunciado o cessar-fogo entre as forças armadas portuguesas e o MPLA, continuando os confrontos com elementos da FNLA. A 14 de Junho tinha já sido celebrado o cessar-fogo com a UNITA.
22 de AgostoÉ criado o Movimento Dinamizador Empresa-Sociedade, que agrupa alguns dos maiores empresários nacionais, que submetem ao Governo várias propostas de avultados investimentos no valor de cem milhões de contos.
O CEMGFA alerta, em circular distribuída por todas as unidades militares, para a existência de “manobras  reaccionárias” contra os militares envolvidos no 25 de Abril.
24 de AgostoÉ posto a circular entre as unidades militares o Documento Hugo dos Santos/Engrácia Antunes, da responsabilidade de oficiais spinolistas, que propõe a extinção da Comissão Coordenadora do MFA.
25 de AgostoSão concluídas em Argel as negociações entre o Governo português e o PAIGC.
Tem início o regresso das tropas portuguesas destacadas na Guiné.
26 de Agosto
Decorre nova greve na TAP.
27 de AgostoÉ promulgado o Decreto-Lei nº 392/74, que regulamenta o direito à greve e o lock out.
É constituída a Frente Democrática Unida (FDU), que agrega o PL, o PP e o PTDP críticos do processo de descolonização, e que desempenharão um importante papel na manifestação da Maioria Silenciosa de apoio ao Presidente da República, projectada para o mês de Setembro.
29 de AgostoO Presidente da República ratifica o Acordo de Argel, que consagra a independência da Guiné e Cabo Verde.
5 de SetembroProsseguem em Lusaka, capital da Zâmbia, as negociações entre o Governo português e a FRELIMO.
7 de SetembroÉ assinado o Acordo de Lusaka, consagrando a independência de Moçambique.
Colonos brancos, agrupados no Movimento Moçambique Livre, ocupam o Rádio Clube de Moçambique em protesto contra o Acordo de Lusaka. Simultaneamente, decorrem manifestações de apoio à FRELIMO. Registam-se incidentes com centenas de vítimas.
9 de SetembroÉ publicada a Lei nº 8/74, que cria o cargo de Alto Comissário, um Governo de Transição e uma Comissão Militar Mista para Moçambique.
Sai para as bancas o primeiro número da publicação Movimento: Boletim do MFA, da responsabilidade da Comissão Coordenadora.
04436.001
É constituída a comissão organizadora da manifestação da Maioria Silenciosa, de apoio ao Presidente da República.
04791.014
10 de Setembro
05248.000.052
No decurso da cerimónia de reconhecimento da independência da Guiné Bissau, em Lisboa, o Presidente da República volta a chamar a atenção para os perigos gerados pela acção dos “totalitarismos extremistas”, que condicionavam o “comportamento do povo perplexo por meio século de obscurantismo político”, exortando “a maioria silenciosa do povo português” a “despertar” e a “defender-se” das suas ofensivas.
11 de SetembroÉ publicada no Diário do Governo a Declaração Conjunta da JSN, do Conselho de Estado e do Governo Provisório que reconhece a independência da República da Guiné Bissau, proclamada pelo PAIGC em 24 de Setembro de 1973.
12 de SetembroÉ publicado o Decreto-Lei nº 443/74, que extingue os organismos corporativos dependentes do Ministério da Economia e transfere as respectivas competências e património para os organismos de coordenação económica das diversas Secretarias de Estado.
13 de SetembroSão publicados os Decretos-Lei nºs 450, 451 e 452, que determinam, respectivamente, a nacionalização dos Bancos de Angola, Nacional Ultramarino e Banco de Portugal.
15 de SetembroO Presidente da República encontra-se na Ilha do Sal, Cabo Verde, com o seu homólogo do Zaire, Mobuto Sese Seko, obtendo o compromisso de não intervenção deste país no processo de descolonização de Angola.
18 de Setembro
A sede do PNP no Porto é ocupada pela PSP e os seus dirigentes detidos. O partido é extinto.
20 de SetembroVictor Crespo, membro da JSN, é nomeado Alto Comissário para Moçambique.
Toma posse o Governo de Transição de Moçambique, chefiado por Joaquim Chissano.
São distribuídos panfletos e colados cartazes apelando à participação na manifestação da Maioria Silenciosa. São entretanto detidos elementos do Partido Nacionalista Português, formação política constituída por elementos afectos ao Estado Novo e cuja sede, situada no Porto, fora entretanto ocupada pela Polícia de Segurança Pública
22 de SetembroÉ criado o Conselho dos Vinte, orgão superior do MFA, composto pelos membros do Movimento pertencentes à Comissão Coordenadora, à JSN e ao Governo.
Mário Soares discursa, na qualidade de Ministro dos Negócios Estrangeiros, perante a Assembleia Geral das Nações Unidas.
06278.03326
23 de SetembroMário Soares encontra-se em Washington com o Secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger.
26 de Setembro
06916.006.037
O Presidente da República e o General Costa Gomes comparecem no Concurso Hípico Internacional, no Hipódromo do Campo Grande. No decurso do evento é entregue ao Chefe de Estado um cartaz da manifestação da Maioria Silenciosa, agendada para o dia 28.
02768.001.004O Presidente da República e o Primeiro Ministro assistem a uma corrida  na Praça de Touros do Campo Pequeno, no decurso da qual a assistência dá vivas ao Ultramar e vaia Vasco Gonçalves. No exterior, ocorrem confrontos entre apoiantes e opositores ao General Spínola.
27 de SetembroEm face do agravamento da situação politica, motivada pela projectada manifestação da Maioria Silenciosa, bem como pela mobilização dos opositores à sua realização, o Presidente da República chama a Belém o Primeiro Ministro e Otelo Saraiva de Carvalho. Entretanto, o COPCON executa detenções de algumas dezenas de indivíduos, sob a acusação de pertença a organizações fascistas e de envolvimento num golpe contra-revolucionário.
Apoiantes de partidos de esquerda levantam barricadas nos arredores de Lisboa, para impedir a entrada de manifestantes.
06278.00574
A evolução da situação torna patentes as divergências insanáveis entre o Governo e a Comissão Coordenação do MFA e o Presidente da República.
O General Galvão de Melo, membro da JSN, torna público o seu apoio à manifestação.
28 de SetembroA Presidência da República emite um comunicado apelando à não realização da manifestação.
A Comissão Coordenadora reune com o Primeiro Ministro e com os ministros militares, acordando propor ao Presidente da República demissão dos membros da JSN Galvão de Melo, Jaime Silvério Marques, Diogo Neto e de Sanches Osório, todos afectos ao General Spínola, bem como o confinamento do Chefe de Estado à estrita esfera das suas competências.